Dados recentes mostram cinco municípios baianos entre as dez cidades com maiores taxas de mortes violentas intencionais do Brasil. Mas afinal, qual é o papel do Estado diante da violência? E qual é a responsabilidade dos municípios e de seus prefeitos?
A segurança pública voltou a
ocupar o centro do debate na Bahia diante dos elevados índices de violência
registrados em diferentes regiões do Estado.
De acordo com o levantamento mais
recente do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado em julho
de 2026, com dados referentes ao ano de 2025, a Bahia possui cinco municípios
entre os dez com maiores taxas de Mortes Violentas Intencionais (MVI) do
Brasil.
O ranking considera municípios
com mais de 100 mil habitantes e utiliza a taxa de mortes violentas por 100 mil
habitantes, permitindo uma comparação proporcional entre cidades de diferentes
tamanhos. O indicador MVI engloba homicídios dolosos, feminicídios,
latrocínios, lesões corporais seguidas de morte e mortes decorrentes de
intervenção policial.
As 10 cidades baianas com
maiores taxas de MVI
Considerando os dados de 2025
apresentados no levantamento de 2026, o cenário entre os municípios baianos é o
seguinte:
É importante esclarecer que essa
lista é diferente de rankings anteriores. Por exemplo, Itabuna e Lauro de
Freitas não estão entre as dez primeiras cidades baianas nesse recorte de MVI
de 2025, embora também apresentem índices relevantes de violência. Lauro de
Freitas aparece com taxa de 36,9 por 100 mil habitantes no levantamento.
Quem administra atualmente
esses municípios?
Os dados políticos abaixo
correspondem aos gestores municipais em exercício em setembro de 2026:
Eunápolis – prefeito Robério
Oliveira (PSD). Ele foi eleito para o mandato 2025-2028 pelo Partido Social
Democrático.
Porto Seguro – prefeito Jânio
Natal (PL), reeleito em 2024 para o mandato 2025-2028.
Simões Filho – prefeito Devaldo
Soares de Souza, o Del (União Brasil), eleito em 2024.
Jequié – prefeito Flávio
Santana, o Flavinho (União Brasil). Ele assumiu o cargo em abril de 2026
após a renúncia de Zé Cocá, que deixou a Prefeitura para disputar as eleições
de 2026.
Juazeiro – prefeito Andrei
Gonçalves (MDB).
Camaçari – prefeito Luiz
Caetano (PT), eleito no segundo turno de 2024.
Teixeira de Freitas –
prefeito Marcelo Belitardo. Ele foi eleito em 2024 pelo União Brasil,
mas posteriormente passou a integrar o PT, aproximando-se da base do
governador Jerônimo Rodrigues.
Luís Eduardo Magalhães –
prefeito Júnior Marabá (PP), reeleito em 2024.
Feira de Santana –
prefeito José Ronaldo de Carvalho (União Brasil), eleito em 2024 para
seu quinto mandato à frente do município.
Salvador – prefeito Bruno
Reis (União Brasil), reeleito em 2024.
Mas quem é responsável pela
segurança pública?
A resposta exige uma distinção
importante.
A Constituição Federal, em
seu artigo 144, estabelece expressamente que:
“A segurança pública, dever do
Estado, direito e responsabilidade de todos, é exercida para a preservação da
ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio...”
O próprio artigo estabelece os
órgãos responsáveis:
I – Polícia Federal;
II – Polícia Rodoviária
Federal;
III – Polícia Ferroviária
Federal;
IV – Polícias Civis;
V – Polícias Militares e
Corpos de Bombeiros Militares;
VI – Polícias Penais federal,
estaduais e distrital.
O que diz o artigo 144?
O artigo 144 da Constituição
Federal também define as principais atribuições dos órgãos de segurança.
A Polícia Federal exerce,
entre outras funções, a apuração de infrações penais contra a ordem política e
social ou contra bens, serviços e interesses da União, além de outras infrações
de repercussão interestadual ou internacional que exijam repressão uniforme.
A Polícia Rodoviária Federal
destina-se ao patrulhamento ostensivo das rodovias federais.
Às Polícias Civis,
dirigidas por delegados de polícia de carreira, incumbem as funções de polícia
judiciária e a apuração de infrações penais, exceto as militares.
Às Polícias Militares
cabem a polícia ostensiva e a preservação da ordem pública.
Aos Corpos de Bombeiros
Militares, além das atribuições definidas em lei, incumbe a execução de
atividades de defesa civil.
As Polícias Penais
destinam-se à segurança dos estabelecimentos penais.
A Constituição também estabelece
que os Estados e o Distrito Federal organizam e mantêm suas polícias civis,
polícias militares e corpos de bombeiros militares, enquanto a União organiza e
mantém as instituições policiais federais.
E as Guardas Municipais?
O § 8º do artigo 144 prevê que os
municípios podem constituir guardas municipais destinadas à proteção de seus
bens, serviços e instalações, conforme dispuser a lei.
Entretanto, a interpretação atual
não deve ficar limitada à ideia de que a Guarda Municipal atua somente como uma
espécie de vigilância patrimonial.
Em fevereiro de 2025, o Supremo
Tribunal Federal decidiu, no Tema 656 da repercussão geral, que é
constitucional o exercício de ações de segurança urbana pelas Guardas
Municipais, inclusive policiamento ostensivo e comunitário, desde que
respeitadas as atribuições dos demais órgãos de segurança pública e sem
exercício de atividade de polícia judiciária.
Portanto, municípios também podem
exercer papel relevante na segurança urbana, especialmente por meio de suas
Guardas Municipais, ações preventivas, iluminação pública, ordenamento urbano,
políticas para juventude, educação, assistência social e outras políticas
públicas que contribuam para a prevenção da violência.
Segurança pública não é a
mesma coisa que violência
É justamente neste ponto que o
debate precisa ser feito com responsabilidade.
Segurança pública e violência
são fenômenos diferentes.
A segurança pública é uma política
e um serviço público destinado à proteção da sociedade, à prevenção de
crimes, à preservação da ordem e à investigação e repressão das infrações.
A violência, por sua vez, é um fenômeno
social que pode possuir múltiplas causas.
Crimes violentos podem estar
relacionados a disputas entre organizações criminosas, tráfico de drogas,
conflitos interpessoais, violência doméstica, desigualdade social, ausência de
oportunidades, conflitos territoriais, fatores culturais, consumo abusivo de
determinadas substâncias, circulação de armas, entre diversos outros fatores.
Por isso, afirmar simplesmente
que “o Estado é responsável pela violência” é uma generalização que não
corresponde ao funcionamento jurídico e social da questão.
O Estado tem, sim, responsabilidade
constitucional pela segurança pública. Isso significa que possui o dever de
organizar forças policiais, investigar crimes, realizar policiamento, prevenir
delitos, proteger a população e buscar a preservação da ordem pública.
Mas isso é diferente de afirmar
que o Estado seja o autor ou o responsável direto por cada crime cometido
por um indivíduo ou por uma organização criminosa.
O Estado pode ser
responsabilizado?
Pode, mas é necessário analisar a
situação concreta.
Existe diferença entre:
1. Responsabilidade pela
prestação do serviço público: o Estado possui o dever constitucional de
oferecer segurança pública;
2. Responsabilidade por uma
ação ou omissão estatal específica: determinadas condutas de agentes
públicos podem gerar responsabilidade do Estado, conforme as circunstâncias e a
legislação;
3. Responsabilidade pelo crime
praticado por terceiro: em regra, o simples fato de um crime ter ocorrido
não significa automaticamente que o Estado seja juridicamente responsável pelo
ato praticado pelo criminoso.
Portanto, é incorreto transformar
todo homicídio, assalto, feminicídio ou conflito entre criminosos em
responsabilidade automática do governo.
Ao mesmo tempo, também seria
equivocado concluir que o poder público não possui nenhuma responsabilidade
diante dos índices de criminalidade.
O dever estatal existe justamente
para prevenir, investigar e combater a criminalidade.
Proteção, prevenção e
repressão qualificada
Uma política de segurança
eficiente precisa trabalhar em diferentes frentes.
Proteção
Garantir a integridade física das
pessoas, a preservação da ordem pública e a proteção do patrimônio.
Prevenção
Atuar antes que o crime aconteça,
utilizando policiamento ostensivo, inteligência, análise criminal, presença
territorial e políticas públicas capazes de reduzir fatores de risco.
Repressão qualificada
Investigar crimes, identificar
autores, reunir provas, cumprir decisões judiciais e desarticular organizações
criminosas dentro da legalidade.
Nesse último ponto, inteligência
policial e investigação são fundamentais. Combater organizações criminosas não
significa apenas aumentar o número de policiais nas ruas, mas também
identificar estruturas, lideranças, fluxos financeiros, áreas de atuação e
conexões criminosas, sempre mediante os procedimentos legais.
O papel dos prefeitos
Outro ponto que precisa ser
esclarecido é que prefeito não é governador e não possui comando sobre a
Polícia Militar ou a Polícia Civil do Estado.
A segurança pública estadual está
inserida principalmente na estrutura do Governo do Estado.
Isso, entretanto, não significa
que o prefeito seja completamente alheio ao problema.
O município pode contribuir por
meio da Guarda Municipal, iluminação pública, urbanização, ocupação de espaços
públicos, políticas para crianças e adolescentes, esporte, educação,
assistência social, prevenção às drogas, recuperação de áreas degradadas e
cooperação com os demais órgãos de segurança.
Assim, quando uma cidade
apresenta elevados índices de violência, a análise séria deve considerar a
responsabilidade de cada esfera de governo, sem atribuir ao prefeito aquilo
que constitucionalmente compete ao Estado e sem retirar do município suas
próprias responsabilidades.
Bahia precisa de um debate
baseado em dados
Os números recentes merecem
atenção.
A Bahia colocou cinco
municípios entre as dez cidades brasileiras com maiores taxas de Mortes
Violentas Intencionais em 2025, segundo o levantamento divulgado em 2026.
Eunápolis ficou na segunda posição nacional, Porto Seguro na quarta, Simões
Filho na quinta, Jequié na sexta e Juazeiro na décima.
Ao mesmo tempo, o Estado
registrou redução de homicídios em 2025 em comparação com 2024, segundo os
dados divulgados no contexto do levantamento. Isso demonstra que a discussão
não deve ser feita apenas com discursos políticos, mas com estatísticas, investigação
das causas, avaliação das políticas públicas e cobrança de resultados.
Conclusão
A violência não possui uma única
causa e não pode ser explicada exclusivamente pela atuação ou pela ausência do
Estado.
Entretanto, segurança pública
é, constitucionalmente, dever do Estado e responsabilidade de todos.
O desafio consiste em distinguir
as responsabilidades: União, Estado e municípios possuem competências
diferentes, enquanto a sociedade também exerce papel importante na prevenção e
no enfrentamento da violência.
O debate público, portanto, deve
fugir tanto da afirmação de que “o governo é culpado por toda violência”
quanto da ideia de que “o governo não tem responsabilidade alguma”.
A posição juridicamente mais
adequada está no meio desses dois extremos: o Estado tem o dever de prestar
segurança pública e combater a criminalidade, mas não é automaticamente
responsável por cada ato criminoso praticado por terceiros.
Mais do que procurar culpados
políticos para cada ocorrência, é necessário cobrar políticas de prevenção,
policiamento eficiente, investigação, inteligência, integração entre as forças
de segurança, atuação municipal e políticas sociais capazes de reduzir os
fatores que alimentam a violência.
Encontro reuniu gestores dos 27 territórios de identidade da Bahia e reforçou articulação política para as eleições de 2026.
O governador e candidato à reeleição Jerônimo Rodrigues (PT) reuniu mais de 350 prefeitos aliados nesta quarta-feira (19), em um hotel de Salvador. O encontro contou com gestores dos 27 territórios de identidade da Bahia e teve como objetivo alinhar estratégias para a campanha eleitoral. Também participaram o vice-governador Geraldo Júnior, os candidatos ao Senado Rui Costa e Jaques Wagner, além do senador Otto Alencar.
Na tarde desta quinta-feira (13), a Prefeitura de Ibirataia, em parceria com a Polícia Militar da Bahia (PMBA), realizou a solenidade de entrega dos fardamentos aos alunos da Unidade de Ensino Municipal Conveniada com a PMBA, no Colégio Municipal José Firmino da Silva. O evento reuniu autoridades municipais, representantes da corporação, estudantes e familiares, marcando mais uma etapa do fortalecimento da educação no município.
A cerimônia contou com a presença do comandante da 55ª Companhia Independente da Polícia Militar (55ª CIPM), major Héber Nascimento Correia, do prefeito Alexandro Freitas, do secretário de Educação e vice-prefeito Caio Pina, do presidente da Câmara Municipal, Antônio Santos de Jesus, além de secretários municipais e demais representantes da administração pública. A participação das autoridades reforçou o compromisso conjunto entre o poder público e a Polícia Militar com a formação dos estudantes.
Pais e responsáveis prestigiaram o evento e lotaram o espaço da solenidade, acompanhando um dos momentos mais marcantes da programação: o juramento realizado pelos alunos. A emoção das famílias evidenciou a importância do projeto, que busca incentivar valores como disciplina, responsabilidade, respeito e cidadania no ambiente escolar.
"Investir na educação é investir no futuro de Ibirataia. Essa parceria com a Polícia Militar fortalece valores como disciplina, respeito, responsabilidade e cidadania, contribuindo para a formação de jovens mais preparados para os desafios da vida. Seguiremos apoiando iniciativas que promovam um ensino de qualidade e construam um futuro melhor para nossas crianças e adolescentes." - destacou o prefeito Sandro Futuca.
A parceria entre a Prefeitura de Ibirataia e a Polícia Militar da Bahia integra uma proposta educacional voltada para o desenvolvimento integral dos estudantes. Além da formação acadêmica, o modelo incentiva a convivência ética, o fortalecimento dos vínculos com a comunidade e a construção de um ambiente escolar mais organizado e seguro.
Segundo a 55ª CIPM, iniciativas como essa reafirmam o compromisso da Polícia Militar da Bahia com a educação e a formação cidadã dos jovens. A corporação destaca que o compartilhamento de conhecimento, aliado à disciplina e aos princípios de respeito e responsabilidade, contribui para a construção de um futuro com mais oportunidades para os estudantes de Ibirataia.
Uma nova rodada da pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (5) apontou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) registrou 39% das intenções de voto no cenário estimulado. Na segunda colocação aparece o senador Flávio Bolsonaro (PL) marcando 30%.
Na sequência, aparecem empatados Renan Santos (Missão) e o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD), ambos com 4% da preferência. Já o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) registra 2%, seguido por Cabo Daciolo (Mobiliza), Augusto Cury (Avante) e Samara Martins (UP), com 1% cada.
Clariana Barão (DC), Edmilson Costa (PCB), Hertz Dias (PSTU) e Leonardo Avalanche (PRTB) não pontuaram. Eleitores que declaram voto em branco, nulo ou que não pretendem votar chegam a 8%, enquanto os indecisos representam 10% da amostra.
Na comparação com a pesquisa anterior da Genial Quaest, o cenário estimulado mostrou estabilidade. O petista oscilou para 39%, vindo de 40% em julho, por enquanto que o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro variou para 30%, frente aos 28% da pesquisa anterior.
Todos esses registros ocorrem dentro da margem de erro, conforme apontou a pesquisa. O levantamento entrevistou 2.004 pessoas, entre os dias 31 de julho e 03 de agosto; a margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, e o índice de confiança é de 95%.
Paraná Pesquisas/ Bahia Notícias:
O ex-ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT), e o atual senador Jaques Wagner (PT) lideram as pesquisas de intenção de votos ao Senado Federal na Bahia. Isso é o que aponta o levantamento do Instituto Paraná Pesquisas, em parceria com o Bahia Notícias, divulgado nesta segunda-feira (3).
Em um cenário estimulado, em que os nomes dos candidatos são apresentados aos eleitores, a pesquisa registra uma margem de quase 10% entre os candidatos petistas. O levantamento permite que cada entrevistado possa citar dois nomes, considerando que são dois votos ao Senado este ano.
Nesse sentido, enquanto Rui Costa foi citado em 44,6% das respostas, Jaques Wagner registrou 35,1% das intenções de voto. Na sequência, aparecem os candidatos da oposição. O presidente do PL na Bahia, João Roma, aparece com 24,1% das intenções de voto, e o atual senador Angelo Coronel (Republicanos) registrou 21,9% das respostas.
A candidata do PSOL, Professora Delliana, foi citada por 6,4% dos eleitores questionados, e o candidato Marcelo Santtana (DC) registrou 2,1% das intenções de voto. Marcelo Carvalho, candidato do partido Rede Sustentabilidade, surgiu com 1,8% dos votos e Gregório Gould (UP) foi citado por 1,6% dos eleitores entrevistados.
Outros 13,4% dos eleitores disseram que votariam em branco, nulo ou não votariam em nenhum candidato, e 6,9% não souberam responder.
O Instituto Paraná Pesquisas ouviu presencialmente 1.400 eleitores entre os dias 31 de julho e 2 de agosto, em 60 municípios. O levantamento possui intervalo de confiança de 95% e margem de erro de 2,7%, sob registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nº BA-03043/2026.