Da periferia de Salvador ao topo da USP: a história de Wesley, 1º lugar em Medicina pelo Enem



Filho de uma doméstica e de um pedreiro, morador da periferia de Salvador e aluno de escola pública durante toda a vida, Wesley de Jesus, 23 anos, acaba de conquistar um feito histórico: o primeiro lugar no curso de Medicina da USP de Ribeirão Preto, utilizando exclusivamente a nota do Enem.

A aprovação não veio por acaso. Foram cinco anos de estudo autodidata, com materiais usados, apostilas doadas e aulas gratuitas disponíveis na internet. Sem cursinho particular, sem professores particulares e enfrentando dificuldades financeiras constantes, Wesley construiu sua trajetória com disciplina, resiliência e um propósito muito claro.

“Eu sempre acreditei que a educação poderia mudar a minha vida e a da minha família”, afirma.

A realidade em casa nunca foi simples. Sua mãe, atualmente desempregada, trabalhou como doméstica por anos. O pai é pedreiro. Nenhum dos dois teve acesso ao ensino superior. Ainda assim, a família sempre apoiou o sonho do filho, mesmo sem condições materiais de ajudar.

Agora, com a vaga garantida em uma das universidades mais disputadas do país, Wesley se prepara para mudar para São Paulo, onde contará com os programas de assistência estudantil da USP e também busca apoio por meio de uma vaquinha online para custear moradia, alimentação e materiais acadêmicos no início da graduação.

Mais do que uma conquista individual, Wesley vê sua aprovação como uma responsabilidade social. Motivado pela fé cristã e pelo desejo de retribuir à sociedade, ele afirma que quer ser um médico comprometido com valores humanos e com a defesa do Sistema Único de Saúde (SUS).

“Quero ser um médico que enxergue o paciente além da doença. Acredito na medicina como um instrumento de cuidado, justiça e dignidade.”

A história de Wesley é um retrato potente do impacto da educação pública, da persistência e do acesso democrático ao conhecimento. Em um país marcado por desigualdades, sua trajetória inspira e reforça uma mensagem essencial: talento existe em todos os lugares — o que falta, muitas vezes, é oportunidade.

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