
Foto: Antônio Cavalcante/Bahia Notícias
Por Fernando Duarte - Bahia Notícias
Os holofotes da política baiana estavam voltados para a participação do senador Angelo Coronel (PSD) na Lavagem do Bonfim. Não foi dessa vez que ele realizou o desejo daqueles que queriam ver frases marcantes, alfinetadas ou confirmações de adesão indeterminada à causa do petismo na Bahia. A família Coronel não foi à Lavagem e deixou a expectativa baixar, tal qual poeira na Quarta-feira de Cinzas, após Carnaval.
A ausência de Coronel não foi surpresa. Apesar de presente em algumas lavagens ao longo dos últimos anos, o senador não tem base eleitoral na capital baiana e preferiu não se expor ao clima beligerante que a imprensa tenderia a criar. Preferiu recuar (ainda que o perfil dele normalmente não seja esse). E, somada a já aguardada ausência do senador Otto Alencar (PSD), não houve aumento da temperatura na relação entre PSD e PT para além do dia de calor extenuante entre a Igreja da Conceição da Praia e a Basílica do Senhor do Bonfim.
Apesar de um ano político, para além da virtual tensão com Coronel, pouco se viu implicações eleitorais nas falas dos candidatos majoritários. O senador Jaques Wagner (PT), com mobilidade reduzida desde que se submeteu a uma cirurgia no joelho, já não cumpria o “circuito” há alguns anos e se manteve – participou apenas do culto ecumênico. O ministro Rui Costa (PT), que, desde a época de governador nunca foi de participar feliz da Lavagem do Bonfim, não deu as caras e quase ninguém notou. Ou seja, sobraram espaço para Jerônimo Rodrigues (PT) e ACM Neto (União), candidatos mais do que declarados no próximo mês de outubro.
Jerônimo não esteve ladeado pelos grandes caciques do grupo político dele. Pareceu, em um dado momento, “abandonado” ainda que tenha mobilizado o secretariado e diversos aliados que desejam espaço na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados. Ou seja, nada mais do que a obrigação deles, em tentarem usufruir das popularidades uns dos outros. Sem qualquer contraponto à tensão com Coronel e o PSD, a versão de que haverá uma acomodação entre aliados foi a que se sobrepôs, especialmente após o encontro entre Jerônimo e Diego Coronel.
Do lado da oposição, ACM Neto se manteve ao lado de Bruno Reis, que demorou – e muito – para cruzar o trajeto que abre o circuito de festas sagradas e profanas de Salvador. Popular desde que foi prefeito, o pré-candidato ao governo não entrou em embates públicos novos e usou a Lavagem do Bonfim como nos últimos anos, numa espécie de “teste de popularidade”, para alimentar as próprias redes e para rebater aliados que possam, eventualmente, duvidar da capacidade de mobilização do ex-prefeito. Ao lado do pré-candidato ao Senado, João Roma (PL), ACM Neto também optou por não tornar o evento um campo excessivamente minado para adversários, prática utilizada em anos anteriores.
Quem também aproveitou a Lavagem para se reafirmar enquanto pré-candidato foi o governador de Goiás, Ronaldo Caiado. Ele, que almeja se manter na corrida pelo Palácio do Planalto até o fim da disputa, disparou críticas aos governos petistas e tentou tirar uma lasquinha da popularidade dos aliados pelas bandas baianas. Para um estranho no ninho, não tem muito a reclamar.
Em resumo, o tradicional início da campanha em anos eleitorais manteve uma temperatura baixa mesmo com o calor do verão soteropolitano. Sinal de que a festa, religiosa e profana, conseguiu se sobrepor aos usos que os políticos tentam fazer dela.
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