Mulheres
grávidas vão passar a ser incluídas no Auxílio Brasil, recebendo o chamado BCG
(Benefício de Composição Gestante), que pagará R$ 65 para cada grávida na
família por nove meses.
A informação
foi publicada pelo Ministério da Cidadania na edição desta segunda-feira (7) do
DOU (Diário Oficial da União), com os detalhes para identificar as gestantes
que podem receber o benefício.
Para ter
direito, a família precisa estar inscrita no CadÚnico ou já ser beneficiária do
Auxílio Brasil —programa que substituiu o Bolsa Família.
Dessa forma, a
família não pode ter renda mensal per capita (por pessoa) superior à linha de
pobreza (entre R$ 100 e R$ 200), e uma família com mais de uma gestante
identificada pode ter direito a mais de um benefício.
“Uma família
que tenha mais de uma gestante identificada poderá receber mais de um BCG. Cada
gestante só pode receber um BCG por vez”, diz a instrução normativa do governo.
A
identificação da gestante depende da inserção das informações no sistema
público de saúde. O Ministério da Saúde irá fazer o repasse da relação de
gestantes localizadas nos serviços do SUS (Sistema Único de Saúde) ao
Ministério da Cidadania. A norma do governo diz que o valor é concedido sem
levar em conta o estágio da gravidez ou se o pré-natal foi iniciado, mas a
identificação da gestante depende dessas informações.
Além disso,
após o benefício ser concedido pela primeira vez, a gestante só poderá receber
um novo BCG após 12 meses da concessão do benefício anterior, mesmo que haja
gestações diferentes neste período.
O pagamento
não será retroativo, ou seja, a família não receberá as parcelas anteriores de
forma acumulada, mas receberá uma parcela por mês, a partir do momento da
concessão, até que sejam completadas nove parcelas.
Em caso de
aborto, o benefício não será cancelado para que seja usado na recuperação da
mulher.
O economista
do Insper, Sergio Firpo, lembra que há evidências de que esse tipo de benefício
gera efeitos positivos sobre a saúde das crianças. “É preciso avaliar, no
entanto, se o valor do benefício é adequado para gerar os efeitos positivos
descritos na literatura na saúde da mãe e do bebê.”
Um estudo de
2017 publicado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento, por exemplo,
verificou os efeitos das transferências de renda para gestantes na Bolívia. O
pagamento era condicionado ao pré-natal e tinha valor equivalente a 1% do
consumo mensal das famílias.
Os dados
apontaram uma redução no número de natimortos, ao aumentar a utilização dos
serviços de saúde e acompanhamento pelas gestantes.
Douglas Gavras/Folhapress
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