Um anteprojeto
de reestruturação do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), de autoria das
Corregedorias do Poder, propõe que 89% dos municípios baianos tenham um único
cartório para todas as demandas, desde uma simples certidão de nascimento até a
averbação de compra e venda de um imóvel. A avaliação da Associação de
Registradores de Imóveis da Bahia (Ariba) é de que pode haver prejuízo
irreversível para os municípios baianos.
A
reestruturação prevista contraria, inclusive, determinação do Conselho Nacional
de Justiça (CNJ) para que as especialidades de imóveis e notas não sejam
unificadas. Apesar disso, emendas restringindo ainda mais o número de cartórios
foram acatadas pela comissão de reforma.
A iniciativa
do Cartório Unificado altera completamente o projeto original elaborado pelas
Corregedorias do TJ-BA a pedido do CNJ que já apresentava diminuição
significativa no número dos estabelecimentos dos atuais 1157 para 683,
distribuídos entre os 417 municípios do estado. Na proposta original, nenhum
município baiano ficaria sem cartório, como determina a Lei 8.935/94, e também
não haveria criação de Ofício Único que, na visão da Associação, gerará “caos
total no sistema”.
A proposta
também não cumpre o que está previsto na Lei 8.935/94 e na Resolução 80 do Conselho
Nacional de Justiça (CNJ) – estas normas vedam expressamente a junção das
atribuições de Tabelionato de Notas e Registro de Imóveis. “Há um controle de
legalidade dos atos dos registradores de imóveis pelos tabeliães, quando lavram
escrituras e um controle do registrador na qualificação do título”, diz trecho
do ofício único dos desembargadores contrários à proposta de cartório único.
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