O governo Jair
Bolsonaro (sem partido) voltou a estudar a prorrogação do auxílio emergencial
caso não consiga destravar a votação da PEC (proposta de emenda à Constituição)
que permite a expansão de gastos e viabiliza a ampliação do Auxílio Brasil para
R$ 400.
Interlocutores
do presidente dizem que o plano continua sendo a aprovação da proposta, mas já
trabalham com esse cenário de prorrogar o auxílio emergencial, caso a PEC não
seja votada na próxima semana na Câmara.
Informalmente,
o TCU (Tribunal de Contas da União) foi consultado por auxiliares do presidente
sobre essa possibilidade.
Segundo a
reportagem apurou com integrantes do tribunal, o tema ainda está em discussão,
mas a princípio não seria necessário prorrogar o estado de calamidade pública,
que vai até 31 de dezembro, para estender o auxílio emergencial. Bastaria
apenas editar uma nova medida provisória até o final do ano.
A votação do
projeto foi adiada três vezes nesta semana no plenário da Câmara. O governo
enfrenta dificuldade em avançar com essa proposta diante de resistência de
parte da base aliada, além de não poder contar com muitos votos de partidos
independentes, como MDB e PSDB.
O ministro da
Cidadania, João Roma, disse no Palácio do Planalto nesta manhã que a PEC
precisa ser aprovada na Câmara e no Senado até a segunda semana de novembro.
Caso
contrário, pode haver problemas operacionais para garantir o pagamento do
auxílio.
O governo
planeja elevar o pagamento do Auxílio Brasil para R$ 400 a partir de dezembro.
Esse valor, segundo o governo, deve permanecer até dezembro de 2022.
Para isso, é
necessário abrir espaço no Orçamento de 2022. O custo dessa ampliação do
programa social, que vai substituir o Bolsa Família, é de aproximadamente R$ 50
bilhões.
Sem essa
engenharia orçamentária, o Auxílio Brasil pagará, em média, pouco mais de R$
220 por mês. Mas o Palácio do Planalto quer o benefício mais elevado.
Portanto,
interlocutores de Bolsonaro voltaram a avaliar a prorrogação do auxílio
emergencial, que hoje varia entre R$ 150 e R$ 375 e atende a mais pessoas que o
Bolsa Família.
Auxiliares
palacianos não souberam detalhar por quanto tempo seria a prorrogação, nem
quantas pessoas seriam beneficiadas.
A
possibilidade está sendo conversada com lideranças parlamentares. Nesta
quarta-feira (27), ministros foram à Câmara tentar articular a votação, e
citaram que o plano B seria prorrogar o auxílio emergencial.
Bolsonaro
determinou o aumento do Auxílio Brasil para R$ 400 na semana passada,
deflagrando uma crise entre as alas política e econômica do governo.
A solução para
atender à demanda do presidente foi driblar o teto de gastos, propondo
alteração no cálculo da regra fiscal na PEC dos precatórios. Essa PEC, que já
estava na Câmara, prevê um limite para pagamento de precatórios (dívidas da
União reconhecidas pela Justiça), o que libera mais espaço no Orçamento.
As duas
mudanças previstas na PEC —envolvendo o teto de gastos e os precatórios— têm
potencial de abrir uma folga de R$ 94,2 bilhões no próximo ano, garantindo
recursos para Auxílio Brasil, auxílio para caminhoneiros e para vacinas.
Interlocutores
de Bolsonaro dizem que a dificuldade em aprovar a PEC se deve à mudança no
sistema de votação da Câmara (que voltou a ser presencial nesta semana), além
da resistência de partidos independentes e de oposição, que, segundo esses
auxiliares do governo, não querem viabilizar programas que podem fortalecer
Bolsonaro na disputa à reeleição em 2022.
Folhapress
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