O Brasil não vai conseguir domar a pandemia de
coronavírus se priorizar apenas a vacinação, afirmou nesta sexta a OMS
(Organização Mundial da Saúde). “Temos que parar de pensar que a crise se
resolve com uma ou outra medida. A vacina é apenas um componente, e é preciso
adotar ações amplas, apoiadas por líderes, apoiadas pelos governos”, disse a
líder técnica para Covid-19 da entidade, Maria van Kerkhove. Ela afirmou que,
apesar do avanço nas campanhas de vacinação, “a trajetória desta pandemia está
indo na direção errada”: “Estamos há seis semanas com os números de casos e de
mortes em alta.”
Segundo a OMS, embora seja crucial imunizar idosos
e profissionais de saúde para reduzir mortes desnecessárias, continua sendo
essencial identificar pessoas infectadas e isolá-las rapidamente. Além disso, é
preciso evitar contatos entre as pessoas para segurar a transmissão e evitar o
aparecimento de novas variantes que escapem da vacina. O conselheiro sênior da
direção-geral da OMS Bruce Hayward também afirmou que a vacinação pode proteger
pessoas mais vulneráveis e reduzir hospitalizações, mas não vai afetar a
dinâmica da pandemia na população. “São as medidas básicas de distanciamento
físico que seguram a transmissão”, disse ele.
Isso ocorre porque, até agora, não há informação
suficiente sobre a capacidade da vacina de reduzir o contágio nem sobre a
duração da imunidade provocada por ela. Além disso, faltam no mundo imunizantes
para acelerar a proteção das populações. De acordo com Van Kerkhove, nos países
em que as medidas não estão sendo adotadas, é necessário entender por quê: “É
um problema das políticas públicas? Falta apoio para que as pessoas possam
ficar em casa?”.
Os diretores da OMS voltaram a descrever o quadro
brasileiro como “muito grave” e afirmaram que a organização está em contato com
equipes de saúde pública em todos os níveis para tentar ajudar a reduzir
infecções e mortes por Covid-19 no Brasil. O Brasil vive uma situação crítica,
com recordes trágicos se acumulando. O ano atual concentra os 32 dias com mais
vidas perdidas em 24 horas. Desses, 30 dias ocorreram em março ou abril.
Na quinta, pelo segundo dia na mesma semana e na pandemia, o Brasil registrou mais de 4.000 mortes em 24 horas. Foram 4.190 óbitos. O recorde de mortes, alcançado na última terça, é de 4.211. Além dos EUA, que tem uma população consideravelmente maior, é o único país no mundo com registros mais regulares a atingir essa marca.
No estado de São Paulo, metade dos municípios
registrou mais mortos do que nascidos em março deste ano, segundo os números de
certidões de óbito e nascimento emitidas pelos cartórios locais. De acordo com
especialistas, o impacto da pandemia do novo coronavírus foi fundamental para a
ocorrência desse fenômeno.
Ana Estela de Sousa
Pinto, Folhapress
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