Com a
pandemia de Covid-19 que afeta o mundo inteiro em diversas esferas da sociedade
desde 2019, um estudo realizado na Bahia dá continuidade a uma linha de
pesquisa que há muito vem sendo estudada: a diversidade de vírus que circulam
no reino animal e o potencial que possuem para infectar seres humanos. À frente
da pesquisa, que envolve diversas instituições e pesquisadores, o professor da
Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), Fernando Vicentini, afirma
que a inspiração para o trabalho é antecipar a descoberta de potenciais vírus
que possam causar doenças de alta relevância para a espécie humana e animais.
De
acordo com o professor, o grande diferencial deste trabalho está na amplitude
de hospedeiros do estudo, visto que diversos animais selvagens de diferentes
espécies e habitats, foram analisados. “Tivemos acesso desde animais oceânicos
até grandes felinos de reservas biológicas, pequenos roedores, morcegos,
tartarugas marinhas, aves entre outros. Nosso maior destaque é a diversidade,
tendo, inclusive, a adição recente de uma equipe somente para estudar
serpentes”, destaca, ressaltando que o projeto já originou mestres e doutores e
teve amplitude nacional e internacional, a exemplo da parceria com a Academia
Húngara de Ciências, através da Universidade de Veterinária, e outras
instituições, onde foi possível identificar e descrever diversos tipos de
doenças causadas por vírus.
Recentemente,
o grupo de pesquisa articulou uma cooperação institucional entre a UFRB e a
Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs), além de terem sido
contemplados no Programa de Pesquisa para o SUS (PPSUS), da Fundação de Amparo
à Pesquisa da Bahia (Fapesb), na busca por vírus com potencial para contagiar
humanos em animais selvagens com foco em coronavírus e adenovírus. “Em uma
pesquisa como esta, temos diversos benefícios a serem destacados. Se
analisarmos o impacto causado na área da saúde dos animais, temos as técnicas
de diagnóstico e manejo que podem ser adotadas para melhorar a qualidade de
vida dos seres estudados impactando na preservação. Além disso, indicadores de
poluição ambiental também são fatores secundários que podem ser extraídos desta
pesquisa, e, principalmente, as novas técnicas de diagnóstico que podem surgir
com a descrição de doenças descobertas nesses animais”, declarou ao completar
que na fase atual do trabalho, é esperado que o grupo consiga descrever a
circulação de coronavírus semelhantes ao SARS-COV-2 infectando animais
selvagens.
Para
Fernando, o projeto é de suma importância para evitar potenciais crises
causadas por epidemias e até pandemias. “Acreditamos que como os adenovírus
infectam diversos animais selvagens e humanos, então a vigilância precisa ser
constante. Se o que estamos fazendo com o adenovírus tivesse sido feito com o
coronavírus, talvez grande parte dos impactos da pandemia atual pudessem ser
evitados”. O grupo de pesquisa almeja montar uma grande rede de vigilância
molecular e, para isso, está em articulação com todas as universidades da
Bahia. “Vale destacar que trabalhamos muito com animais que foram atropelados
em rodovias e isso nos ajudou imensamente a aumentar a diversidade das espécies
e ampliar ainda mais o estudo”, finalizou.
Do Política Livre
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