Das 35 metas consideradas ‘cumpridas’ por Bolsonaro, metade ainda está em curso


Apesar de o presidente Jair Bolsonaro ter declarado nesta quinta-feira, 11, que o governo cumpriu as 35 metas tidas como prioritárias para os 100 primeiros dias de gestão, 17 delas – quase metade do total – ainda estão em curso, ou seja, dependem de novas etapas para entrar em vigor. Além disso, algumas foram apresentadas no limite do prazo, nesta quarta e quinta-feira, e com texto genérico. O levantamento do Estadão considerou “parcialmente cumpridas” metas de dois tipos: as que já deveriam estar mais detalhadas, mas que ainda estão colocadas de maneira genérica; e aquelas cuja redação deixava claro que as diretrizes deveriam entrar em vigor no período de 100 dias, sem depender, por exemplo, de outros Poderes. Um exemplo do primeiro caso é a meta de “modernizar” o programa Bolsa Atleta. O governo anunciou ontem a reabertura de 3.142 bolsas que haviam sido cortadas pela gestão de Michel Temer. Mas a questão da modernização foi citada apenas de forma genérica — segundo o governo, um projeto de lei será enviado ao Congresso para este fim. Já o segundo caso se aplica à meta de autonomia do Banco Central. Na redação inicial, o Planalto diz que vai “seguir modelo vigente em economias avançadas, garantindo a independência do Banco Central”. Leia Mais
Contudo, o governo enviou somente ontem ao Congresso a proposta, que ainda precisa ser votada pelo Legislativo. É diferente, por exemplo, do Pacote Anticrime, capitaneado pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro. Na diretriz que apontava para a criação do texto, o governo falava apenas em propor um projeto de lei voltado para o tema, sem dar a entender que ele deveria ser aprovado nos 100 primeiros dias. O levantamento se baseou em estudo dos pesquisadores Luiz Alberto dos Santos e Antonio Augusto de Queiroz, publicado em 3 de abril. A reportagem atualizou o status de cumprimento levando em conta ações realizadas pelo Executivo na última semana e os 18 atos de governo anunciados por Bolsonaro nesta quinta-feira. Entre as medidas classificadas como “cumpridas” estão o decreto que facilita a posse de armas, baixado logo no primeiro mês de gestão, e as privatizações no setor de transportes. Há também exemplos mais recentes, que o governo apresentou nos últimos dois dias. É o caso do Plano Nacional de Segurança Hídrica (PNSH), que a Agência Nacional de Águas (ANA) detalhou nesta quarta-feira, 10, e o 13.º salário para usuários do Bolsa Família, anunciado na quinta, 11. Leia mais no Estadão.



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