Tesouras Notícias
terça-feira, janeiro 29, 2019
Diante da repercussão da tragédia ocorrida na última
sexta-feira, 25, após o rompimento de uma barragem de rejeitos em Brumadinho, e
da preocupação de moradores de municípios do médio e baixo Rio das Contas com a
barragem da Mirabela, instalada em Itagibá, a reportagem do GIRO foi recebida
na mineradora por Milson Mundin (diretor presidente da Mirabela) e Vagner Lima
(engenheiro de barragem). Numa longa entrevista, ambos esclareceram a atual
situação da barragem e afirmaram que ela é segura e que o risco de rompimento é
baixíssimo. A segurança da barragem da Mirabela também foi atestada pelo
especialista José Batista de Oliveira - professor de mina da UFBA, em um áudio
no whatsapp compartilhado por ele no último sábado e direcionado à moradores de
Itacaré.
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Segundo o diretor, modelo de barragem da Mirabela é um dos mais caros e seguros do mundo (Foto: Giro Ipiaú) |
Milson Mundim
destacou a diferença da barragem da Mirabela às de Brumadinho e Mariana.
"O primeiro ponto que a gente tem que lembrar é que essas duas barragens
tem 40 anos de construção e nesse período a tecnologia da engenharia evoluiu. E
para se ter uma ideia, hoje não é mais possível licenciar uma barragem que use
o método construtivo utilizado por eles naquela época. Elas são feitas com o
próprio rejeito da mineração e alteadas com montante, isso significa que vai
colocando o rejeito em cima do próprio rejeito e vai aumentando a altura da
barragem. A nossa barragem é bem diferente. Ela é feita principalmente com
rocha (cerca de 83%) e não rejeito", destacou Mundim que ainda
acrescentou: "O risco de acidente dela (barragem), em termo de rompimento,
é baixíssimo".
Segurança
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| Barragem é formada por 83% de rocha (Foto: Arquivo/Giro Ipiaú) |
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Outro ponto
diferente é em relação ao material contido pela barragem da Mirabela que
atualmente tem 21 milhões de metros cúbicos de rejeitos. Segundo o engenheiro
Vagner Lima, apenas 4% desse material é água. "Nosso rejeito é arenoso e
tem uma consistência que facilita o adensamento dele, inclusive pode-se
trafegar com máquinas em cima do rejeito", disse. Vagner informou que o
método utilizado para a construção da barragem é o mais caro no mercado. Ele
revelou que fez um levantamento e constatou que no Brasil, das 790 barragens de
rejeitos, apenas a Mirabela (Itagibá) e a de Sossego (no Pará) utilizam essa
metodologia de construção. Baseado em uma pesquisa de um órgão internacional,
Vagner afirmou: "No mundo não existe histórico de rompimento com nosso
tipo de barragem (de enrocamento), não tem nenhum caso", frisou.
Manutenção e fiscalização
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| Apenas 4% do material contido pela barragem é formado por água, informou a Mirabela |
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Com as
atividades de exploração de minério suspensa desde maio de 2016, a Mirabela
assegura que, apesar disso, as manutenções na barragem e fiscalizações por
órgãos responsáveis têm sido permanentes. "O poder público, o governo da
Bahia, através dos seus vários órgãos, a CBPM, o INEMA, fazem essas inspeções
regulares e de maneira técnica e bastante profissional e restritiva. Ainda
ontem (segunda-feira) a gente teve a visita de uma grande delegação, incluindo
três técnicos em barragens, que puderam atestar a segurança da barragem",
comentou.
"Potencial de
dano"
Sobre a fala
do gerente regional da Agência Nacional de Mineração (ANM), Cláudio da
Cruz Lima, o qual durante entrevista ao G1 afirmou que a barragem da Mirabela e
mais três na Bahia têm "alto potencial de dano", Milson explicou: que
o "Potencial de dano" não diz respeito ao risco de acidente, mas das
consequências e que esse nível é elevado quando existem comunidades próximas e
a presença de rios.
Plano de ação de
emergência
Os
representantes da mineradora garantiram que, caso haja um acidente com a
barragem, existe um plano de emergência. "Nós temos o nosso desde 2009,
antes da lei pedir. Em 2018 a gente fez uma atualização desse plano e
protocolou e apresentou em todas as prefeituras de municípios que
hipoteticamente seriam atingidos. A lei prevê esse plano para que, mesmo que a
gente saiba que não vai acontecer, mas que a gente esteja preparado para
evacuar uma população, se necessário", comentou Vagner. A mineradora
informou também na entrevista, por meio de seus representantes, que ao encerrar
as atividades, existe o plano de fechamento de mina, inclusive da barragem.
"Esse plano atualmente está sendo atualizado e aprimorado com
pesquisadores da área", destacou Vagner Lima.
Retorno da
exploração
No final da
entrevista, Milson Mundim - diretor presidente da Mirabela - informou que a
previsão para o reinício da exploração está previsto para o segundo semestre de
2019, logo após os serviços de reparos na planta (mina) e de sondagens.
"Certamente será no segundo semestre", estimou. Segundo ele, a
princípio, a vida útil da mina é de até 12 anos de exploração, mas pode ser
prorrogada, a depender das descobertas nos serviços de sondagens. "Estamos
fazendo um trabalho vislumbrando um futuro distante e não um futuro próximo,
que é quando essas jazidas que forem chegando ao final, que já tenham novas
jazidas mapeadas aqui dentro da área da Mirabela, permitindo a extensão da vida
da mina", disse.
Vagas
Atualmente a Mirabela tem 190 funcionários e cerca de 200 terceirizados. A
tendencia é que aumente o número de emprego nos próximos meses. Para isso foi
disponibilizado no site da empresa a
oportunidade de cadastro de currículos.
Do Giro Ipiaú
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